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VocĂȘ conhece o Teste de Bechdel?

  • Foto do escritor: Hellen Albuquerque
    Hellen Albuquerque
  • 22 de out. de 2016
  • 2 min de leitura

Talvez vocĂȘ jĂĄ tenha ouvido falar sobre o Teste de Bechdel, talvez nĂŁo. Ele Ă© uma forma de avaliar o preconceito de gĂȘnero presente em filmes e outras mĂ­dias. Para passar no teste, a obra precisa ter pelo menos duas mulheres, com nomes, que conversem entre si sobre outras coisas que nĂŁo sejam homens.

O teste recebeu esse nome em homenagem Ă  cartunista Alison Bechdel, que apresentou a ideia em seu quadrinho “Dykes to Watch Out For”. A autora atribuiu o conceito Ă  sua amiga, Liz Wallace, e vocĂȘ pode ver o original aqui:

Parece realmente simples, afinal, as mulheres poderiam conversar sobre absolutamente qualquer coisa, menos homens, e o filme passaria no teste. Pode ser sobre negĂłcios, fĂ­sica quĂąntica, comida ou cachorros, nĂŁo importa. Mesmo assim, um monte de filmes falham miseravelmente nesse aspecto. Ou, ainda, passam no teste graças a uma Ășnica cena em todo o longa, o que nĂŁo quer dizer que haja realmente uma igualdade de gĂȘnero.

LĂłgico que o teste nĂŁo Ă© 100% preciso para definir se um filme Ă© feminista, ou se retrata as mulher de uma maneira mais verossĂ­mil ou poderosa. Por exemplo, “Jurassic World” passa no teste graças a uma conversa de Claire e Karen ao telefone, em que falam sobre sua mĂŁe e a carreira de Claire. Mas o filme foi criticado por estereĂłtipos sexistas, principalmente pelo figurino de Claire, fugindo de dinossauros de salto alto. JĂĄ “Gravidade”, que traz Sandra Bullock num importante papel de uma astronauta, nĂŁo passa no teste, pois ela nĂŁo conversa com outras mulheres, apenas com homens.

Jurassic World passa no Teste de Bechdel, mas



Ou seja, o Teste de Bechdel Ă© um bom ponto de partida para discutirmos questĂ”es sobre igualdade de gĂȘnero no cinema, mas precisamos ser crĂ­ticos sobre o que estamos assistindo, e sobre a realidade da indĂșstria cinematogrĂĄfica. Afinal, as atrizes, por mais incrĂ­veis que sejam, ainda recebem muito menos do que os atores.

SĂł para ilustrar, recentemente em um episĂłdio de “Chelsea”, da Netflix, Hilary Swank contou sobre uma situação absurda. Pouco depois de ganhar seu segundo Oscar de Melhor Atriz, ela foi chamada para fazer um filme. “O ator nĂŁo tinha nenhum sucesso de crĂ­tica, apenas havia aparecido em um filme em que estava gostoso. Ofereceram a ele 10 milhĂ”es, e para mim, 500 mil. Essa Ă© a verdade”.

Como då para esperarmos um tratamento igualitårio na ficção, se na vida real ele não ocorre? Felizmente, a representatividade feminina vem melhorado nas produçÔes cinematogråficas, mas é preciso estar sempre de olho e questionar.

Ah, e claro, vou finalizar com uma pequena lista de filmes legais (na minha opiniĂŁo) que passam no Teste de Bechdel: “Frances Ha”, “PersĂ©polis”, “Cisne Negro”, “As Horas”, “Pequena Miss Sunshine”, “Kill Bill”, “A Vida Secreta das Abelhas”, “Azul Ă© a Cor Mais Quente”, “A Viagem de Chihiro”, “Persona”.

Texto e edição da coluna: Andrea Mayumi

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