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  • Foto do escritorHellen Albuquerque

Guerra de palavras: a história da rapper Bárbara Sweet

Bárbara Sweet, que ganhou o apelido quando criança por ser consumidora assídua da bala que levava este nome, é natural de Belo Horizonte. Nascida e criada na terra do pão de queijo, vem de uma família de gente direita, que neste caso significa ela ser a primeira a se envolver com música. Sua história com o ritmo começou aos 11 anos, quando começou a ter aulas de canto e coral, não demorou a perceber sua inclinação para as rimas e com 14 anos já participava de rodas de freestyle com os amigos.

Para subir no palco como guerreira de palavras o processo foi outro: “O que me fez querer participar das batalhas era assisti-las e ver que a maior ofensa de um rapper pro outro era dizer que ele rimava como uma mulher. Isso me incomodava demais, e eu ouvi uma, duas, dez vezes. Na décima primeira eu disse pra uma amiga que se fosse eu ali em cima ele não poderia falar aquilo”.

E realmente não podem. Em uma de suas mais recentes batalhas, Sweet dissipou a mensagem de sofrimento feminino em resposta a um rapper que alegava serem os homens a sofrerem violência doméstica de acordo com as estatísticas.

“Qual é essa estatística? Só pode ser baseada em um machista É a mulher que sofre violência doméstica É a mulher que sofre violência estética É a mulher que sofre violência do dia a dia Você é branco e hétero, não sabe qual que é a da minoria”



A coisa esquenta a partir dos 2min30seg

Ao pegar o microfone, Bárbara levou também outras mulheres para as letras. “Eu quis defender a posição das mulheres, de que não somos inferiores nem no rap, nem em lugar nenhum. E falar que fazer algo como uma mulher não é uma ofensa, é um elogio”. No começo da carreira lhe apontavam que suas vitórias eram pelo simples fato do seu gênero, o que a levou a também se questionar sobre isso, conversando com amigos e conhecidos. “Descobri que não, essa era uma forma de tentar me desestabilizar como Mc”, conta.

O hip hop como meio é um espaço masculinizado, que não permite feminilidade: “Nós nos vestíamos de homem para ir até o rap, era tudo muito misógino, eu ouvia barbares de rappers famosos há dez anos em relação a presença das mulheres. E isso me deixou cada vez mais instigada”. Para mudar o cenário, surgiu o projeto Mina No Mic, que pretende unir quatro estados, Belo Horizonte, São Paulo, Rio de Janeiro e Santa Catarina com representantes mulheres para fomentar e inserir mais mulheres neste estilo musical.

Sua mensagem final pode não vir com uma rima, mas com um pensamento, que esperamos, seja ressonante: “Conheçam o feminismo, entendam do que se trata. Sinta empatia pelas outras mulheres, fuja dessa noção da sociedade de que somos competidoras. Quero que elas saibam que elas são lindas, perfeitas, fortes e completas, isso que sinto vontade de falar para as mulheres o tempo todo. Foi o que o feminismo falou para mim e me fez uma pessoa muito melhor”.

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