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  • Foto do escritorHellen Albuquerque

Gender Bender: moda que não tem gênero

Você é um homem ou uma mulher? Acredite ou não, você poderia ser os dois. Ou nenhum. Seu gênero é uma expressão de identidade, e como tal, é performativo. Assim como seu corte de cabelo mudou depois da faculdade, a forma como você expressa seu gênero também é alterável.

Essa transformação pode começar pelas suas calças. Na década de 1920, Coco Chanel observou a vontade das senhoras da sociedade pela roupa de seus maridos. Reformulou o tailleur, um conjunto inspirado nos ternos, o deixando mais fluído. Tempos depois, a atriz Marlene Dietrich usava de calças compridas para iniciar uma onda de androginia, abrindo espaço para tendências como o boyish ou tomboy, um estilo usado por mulheres que invadem o guarda-roupa, em princípio, masculino.

Na via contrária, David Bowie enchia de cores neon os anos 1970 com seu personagem Ziggy Stardust. Com roupas justíssimas e multicoloridas, usava maquiagem subvertendo as normas de gênero, que reservam esses artifícios às moças. Em terras tupiniquins, Ney Matogrosso à frente do Secos e Molhados transbordava feminilidade, questionando a ambivalência da indumentária.


A ponte que quebra essas fronteiras é chamada de gender-bender (além-gênero, em tradução livre). Um ideal libertário, que permite escolhas independentes das definições de masculino/feminino.

A ideia pode não ser nova, mas tem sido cada vez mais apropriada por aqueles que escolhem estilo a regras. Os mais ousados poderiam trazer das passarelas internacionais saias para homens, mas não precisamos ir tão longe assim… Pode ser uma gola mais arredondada, um botão grande e chamativo em um homem. Poderiam ser os coletes e gravatas em uma mulher.

A marca inglesa Selfridges criou uma linha “Agender”, em que não existe divisão de peças por seções masculinas e femininas. Pode-se ver o que gosta e procurar o que sirva, quem se importa com o sexo que há entre suas pernas?

As divisões binárias na moda começam por volta da Idade Média, se tornando mais gritantes depois da Revolução Industrial. Neste período as mulheres tornam-se um prêmio, que se enfeita ao máximo para demonstrar seu valor e angariar um marido que possa pagá-lo. Mas ora, não buscamos por igualdade?

A vestimenta continua contando a história de nosso cotidiano. Podemos não ser ainda completamente iguais, mas podemos usar as mesmas calças.







O editorial

Acredito em viver para depois escrever. Por isso, criamos um editorial em que os limites do feminino e masculino saem para dançar. Com fotografia de Mariana Quintana, peças de alfaiataria marcam essa transição. Os visuais têm produção de moda por César Muchinski e Cristiane Heinrichs. Reafirmamos nosso apoio ao consumo consciente utilizando peças dos brechós Balaio de Gato, Libélula Brechó e Tati Chiletto. A maquiagem não apenas reservada a mim, mas que também desenhou o rosto do modelo Bruno Bagatin, da agência de modelos Station, tem criação de Bruna Daniel.


Publicação no Jornal Bem Paraná

Continuamos nossa parceria com o Jornal Bem Paraná, que hoje publicou nosso editorial em sua página de Tendências. Agradecemos a editora chefe, Josianne Ritz pelo espaço!


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